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Comentários da
Associação de Certificação Instituto Biodinâmico - IBD
Certificações |
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A edição de setembro do "”American Journal of
Clinical Nutrition”, da Inglaterra, apresentou estudo sobre a
qualidade nutricional dos alimentos orgânicos, uma revisão da
literatura publicada sobre a matéria. A equipe que escreveu o
estudo, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, foi
financiada pela Agência de Normas de Alimentos do Reino Unido (FSA)
Um grupo de
cientistas reunidos pelo The Organic Center (TOC) e pela Associação
de Comércio Orgânico (OTA), fez uma revisão mais rigorosa da
literatura publicada. Os resultados diferem significativamente do
estudo mais limitado da FSA. O novo estudo do TOC foi publicado sob
o título de “Novas Evidências Confirmam a Superioridade Nutricional
de Alimentos Orgânicos Vegetais”.
O estudo completo do
TOC pode ser visto no site
http://www.organic-center.org. Eis
aqui os principais pontos do trabalho:
O estudo da FSA
minimizou as descobertas positivas sobre os alimentos orgânicos. Em
várias passagens, o relatório da Escola de Higiene e Medicina
Tropical de Londres mostrou que alimentos orgânicos tendem a
apresentar mais nutrientes que os convencionais. O estudo da FSA
omitiu medidas de importantes nutrientes, inclusive a capacidade
total anti oxidante. A FSA usou dados de estudos muito antigos, com
níveis de nutrientes de variedades de plantas que não estão mais no
mercado.
O estudo de Londres
encontrou diferenças estatisticamente significantes em favor dos
orgânicos. Encontrou mais nitrogênio nos convencionais, quando se
sabe que isso pode significar ameaça à saúde, por causa do potencial
carcinogênico de compostos nitrogenados, como a nitrosamina.
As descobertas do
TOC mostram diferenças significativas em favor dos orgânicos, em
duas casses críticas de nutrientes: polifenóis e conteúdo total de
antioxidantes.
Diferentemente do
estudo de Londres, a revisão do The Organic Center comparou
diferenças nutricionais em cultivos orgânicos e convencionais
praticados em fazendas vizinhas, no mesmo tipo de solo e clima, com
os mesmos sistemas de irrigação e época de colheita, e das mesmas
variedades de plantas. O TOC examinou rigorosamente a qualidade dos
métodos de análise e eliminou uma maior porcentagem da literatura
publicada do que a FSA.
Com isso, foram encontrados níveis de 11 nutrientes
em alimentos orgânicos superiores, em média, em 25% em relação aos
convencionais.
A FSA não analisou as diferenças em importantes
antioxidantes, nem na atividade total antioxidante, o que tem sido
medido em vários estudos mais recentes.
Em resumo, as diferenças encontradas pela FSA se devem,
principalmente:
·
À
inclusão de estudos antigos (esta Agência reuniu estudos de 1958 a
2008, enquanto o TOC se baseou em trabalhos publicados a partir de
1980. Novos estudos atestam grande quantidade de nutrientes em
alimentos orgânicos)
·
À aplicação, pelo TOC, de critérios muito mais
rígidos de validade científica
É interessante verificar os resultados de anos de
pesquisa, com rotações de quatro culturas em vários países da
Europa, numa pesquisa coordenada pelo IBdF - Instituto de Pesquisas
Biológico-Dinâmicas, assim como a revisão imparcial (que aponta
inclusive a porcentagem, ainda que inferior, de resultados de
qualidade favorável a produtos de cultivo agroquímico) de 1230
trabalhos feita pela pesquisadora norte-americana Virginia
Worthington, (2000) "Nutrition and Biodynamics: Evidence for the
Nutritional Superiority of Organic Crops". In Biodynamics n.
224, (July/August, 1999),
http://www.biodynamics.com/biodynamicsarticles/worth.html
(20/08/2003)
É importante ler os relatórios finais do IAASTD ( International
Assessment of Agricultural Knowledge, Science and Technology for
Development, FAO;
http://www.agassessment.org/) em
Inglês e Espanhol que recomendam os sistemas orgânicos, destacando a
Multi-funcionalidade dos Agroecossistemas e o livro do Dr. Jack
Heinemann (Junho de 2009) Hope not Hype: The Future of Agriculture
Guided by the International Assessment of Agricultural Knowledge,
Science and Technology for Development; Publisher: TWN (ISBN:
978-983-2729-81-5), 176 p.
O IBD acrescenta
que as vantagens dos orgânicos não se resumem em quantidades de
nutrientes, quesito em que muitas vezes são superiores, mas também
que:
- Criações
orgânicas não usam remédios alopáticos, alguns violentos – como
certos produtos para combater ectoparasitas (bernes, carrapatos
e outros) e endoparasitas (vermes intestinais, principalmente),
que podem deixar resíduos na carne e no leite. O pasto orgânico
e todos os produtos orgânicos são cultivados sem agrotóxicos,
sobre muitos dos quais pesa a suspeita de serem cancerígenos. Na
década de 80, o leite consumido no estado de S. Paulo, quando
foram realizados testes de resíduos pelo ITAL, em Campinas, SP,
apresentou grande taxa de resíduos de agrotóxicos
organoclorados.
- Os agrotóxicos
têm efeito perverso também sobre o organismo Terra – sobre todas
as formas de vida do solo e do ambiente geral. Agrotóxicos
contaminam quase tudo o que encontram, destruindo a
biodiversidade, contaminando a água dos rios e dos lençóis
freáticos, promovendo a longo prazo o aumento
das pragas, já que os agrotóxicos acabam com os inimigos
naturais das pragas. Em 1962, Rachel Carlson publicou a famosa
obra Silent Spring (Primavera Silenciosa), falando sobre a
diminuição dos pássaros na América do Norte, como consequência
da poluição causada pelos agrotóxicos na agricultura. O
agrotóxico se concentra, progressivamente, nos alimentos. Por
exemplo, o veneno é arrastado para o rio, contamina o peixe, que
contamina a ave que o come, que contamina o homem que come a
ave; no final da cadeia alimentar, em relação ao início dessa
cadeia, concentração do agrotóxico pode ter aumentado milhões de
vezes!
- São freqüentes
os envenenamentos agudos e crônicos de trabalhadores no campo.
Quem, no calor brasileiro, quer usar os caros e desconfortáveis
equipamentos de proteção? Além disso, o homem rural brasileiro
não tem idéia dos efeitos, no longo prazo, dos agrotóxicos no
seu organismo.
- Finalmente,
alguns alimentos orgânicos são melhores para a saúde do que os
convencionais, é o que mostram os resultados preliminares de uma
pesquisa realizada pela Universidade de Newcastle, no Reino
Unido, com financiamento da União Européia. A pesquisa indica
que frutas e vegetais orgânicos possuem, em relação aos seus
similares não-orgânicos, até 40% mais antioxidantes, substâncias
relacionadas à diminuição dos riscos de câncer e de doenças
cardiovasculares. O leite orgânico, por exemplo, pode conter até
80% mais antioxidantes do que o comum. Os orgânicos também
teriam maior teor de sais minerais como ferro e zinco. Os
resultados sugerem ainda que eles contêm menos ácidos graxos
trans, considerada a gordura mais prejudicial à saúde. O estudo,
que começou há três anos, está em andamento. Foram analisadas
frutas, legumes e rebanhos orgânicos e não-orgânicos cultivados
ou criados lado a lado em vários locais da Europa.
- Mara Lucia de
Azevedo Santos, bióloga pela Unesp, realizou pesquisa (2005) do
pólen coletado por Apis mellifera no Brasil. Detectou
presença de inseticidas organofosforados, organoclorados e
piretróides sintéticos nas amostras de pólen apícola de todas as
regiões do Brasil. Foram detectados os inseticidas Zolone,
Aldrin, Dieldrin, Endrin, Heptacloro, além de outros
organoclorados, de uso proibido no Brasil. Isso pode ser devido
à persistência desses inseticidas no ambiente
As nascentes
e cursos
d’água no Brasil têm sofrido um processo de destruição da mata que
os envolve, chamada mata ciliar. Para realizar a certificação
orgânica, o IBD exige que essas matas sejam recompostas. Isso tem
recuperado muitas fontes d’água. A agricultura orgânica proíbe as
queimadas, especialmente dos pastos, exige a manutenção ou a
recuperação de matas ciliares e reservas arbóreas nas unidades de
produção, recomenda o plantio de árvores nos cafezais e em outros
cultivos, exige, muitas vezes, barreiras vegetais formadas por
árvores, recomenda o sombreamento dos pastos com árvores, a própria
agro-floresta é uma prática incentivada na agricultura orgânica – há
muitas produções orgânicas agro-florestais. Tudo isso recupera e
protege nascentes e rios.
- Até na questão
do aquecimento da Terra os orgânicos apresentam vantagens. Uma
das causas do aquecimento da Terra, é a emissão de gás
carbônico, que forma uma manta isolante e aquecedora sobre o
nosso planeta. A agricultura orgânica proíbe as queimadas, que
são grandes emissoras desse gás, exige a manutenção ou a
recuperação de matas ciliares e reservas arbóreas nas unidades
de produção, exige, muitas vezes, barreiras vegetais formadas
por árvores, recomenda o sombreamento dos pastos com árvores, a
própria agro-floresta é uma prática incentivada na agricultura
orgânica – há muitas produções orgânicas agro-florestais. As
árvores capturam o gás carbônico, no processo da fotossíntese, e
liberam oxigênio, contribuindo para o retorno do carbono à
biomassa. O plantio de árvores também protege e aumenta a
biodiversidade. Outra forma de emissão de carbono para a
atmosfera é a queima de derivados de petróleo. A agricultura
orgânica incentiva a tecnologia branda, menos dependente do
petróleo, a diminuição das operações mecanizadas, substitui os
adubos nitrogenados fabricados a partir do petróleo por formas
naturais de adubação, economiza o petróleo empregado na
fabricação de outros insumos proibidos nesse sistema de
produção, incentiva o uso de formas alternativas de energia,
como a solar e a eólica
Assim, a agricultura e a pecuária
orgânicas, além de todas as outras vantagens, colabora para a
diminuição do aquecimento global. |
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Alexandre Harkaly e José Pedro
Santiago
www.ibd.com.br |
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Resposta do Organic Center ao Estudo da FSA |
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No dia 29 de julho, a Food Standards
Agency (FSA)
(Agência de Padrões Alimentares) divulgou um estudo que examinou
artigos publicados nos últimos 50 anos sobre o conteúdo nutricional
e diferenças na saúde na comparação entre alimentos orgânicos e
convencionais. Gill Fine, diretora da FSA para assuntos relativos à
escolha do consumidor e saúde alimentar, insistiu que a agência
"apóia a escolha do consumidor e não é nem a favor nem contra a
alimentação orgânica".
"Este estudo não quer dizer que as
pessoas não devam comer alimentos orgânicos. O que o estudo mostra é
que existe pouca ou nenhuma diferença nutricional entre alimentos
produzidos de forma orgânica ou convencional, e que não há evidência
de benefícios adicionais à saúde oriundos do fato de se comer
alimentos orgânicos," Fine disse. Os comentários da FSA provocaram
uma resposta previsivelmente feroz da
Soil Association (Associação do Solo), um dos órgãos que
certificam alimentos orgânicos no Reino Unido. Peter Melchett, o
diretor de políticas da associação, disse que estava "decepcionado"
com as conclusões do estudo.
"Existem estudos limitados disponíveis sobre os benefícios à saúde
dos alimentos orgânicos contra os não orgânicos. Sem pesquisa
longitudinal e em grande escala, é difícil chegar a conclusões
claras e abrangentes sobre esta questão, o que foi reconhecido pelos
autores do exame da FSA." |
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The Organic
Center publicou uma resposta rebatendo diversas afirmações
que constam do referido artigo da FSA.
Os autores desta resposta do Organic Center afimam que "No
seu relatório escrito, a equipe londrina diminuiu a
importância de conclusões positivas a favor dos alimentos
orgânicos"
Confira abaixo a tradução da resposta do Organic Center que
o Planeta Orgânico traz para você. |
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Julho de 2009
Autor(es): Charles Benbrook, Ph.D.
Cientista Chefe - The Organic Center
Donald R. Davis, PhD.
Cientista de Pesquisa Aposentado da Universidade do Texas em
Austin
Preston K. Andrews
Departamento de Horticultura e Arquitetura Paisagística da
Universidade Estadual de Washington.
Apareceu hoje uma cópia prévia de um estudo que será
publicado na edição de setembro do American Journal of
Clinical Research (Revista Americana de Pesquisas Clínicas).
O artigo publicado, "Nutritional quality of organic food: a
systematic review" (Qualidade nutricional dos alimentos
orgânicos: um exame sistemático), foi escrito por uma equipe
coordenada por Alan Dangour, da Escola de Higiene e Medicina
Tropical de Londres, e financiado pela Agência de Padrões
Alimentares do Reino Unido (Food Standards Agency - FSA).
No seu relatório escrito, a equipe londrina diminuiu a
importância de conclusões positivas a favor dos alimentos
orgânicos. Em vários casos, a análise da equipe mostrou que
os alimentos orgânicos tendem a ter maior densidade de
nutrientes do que os alimentos convencionais. Ademais, o
estudo omitiu as medições de alguns nutrientes importantes,
inclusive a capacidade total de antioxidantes. Também
faltavam os controles de qualidade contidos num estudo
concorrente divulgado em 2008 por The Organic Center (TOC -
Centro Orgânico). Por último, a equipe financiada pela FSA
também usou dados de estudos muito antigos que avaliavam os
níveis de nutrientes em variedades de plantas que não mais
se encontram no mercado.
A equipe londrina informou ter encontrado diferenças
estatisticamente significativas entre culturas de plantio
orgânico e convencional em três dentre treze categorias de
nutrientes. As diferenças significativas citadas pela equipe
incluem o nitrogênio, que era mais alto em culturas
convencionais, e o fósforo e os ácidos tituláveis – ambos
eram mais altos nas culturas orgânicas. Níveis elevados de
nitrogênio nos alimentos são considerados, pela maioria dos
cientistas, como sendo um perigo para a saúde pública devido
ao potencial dos compostos cancerígenos de nitrosamina de se
formarem no trato gastrointestinal dos seres humanos. Por
este motivo, esta descoberta de níveis mais altos de
nitrogênio em alimentos convencionais vai a favor das
culturas orgânicas, como também as duas outras diferenças.
Apesar do fato que estas três categorias de nutrientes
favoreceram os alimentos orgânicos, e nenhuma favoreceu os
alimentos cultivados convencionalmente, a equipe londrina
concluiu que não existem diferenças nutricionais entre
cultivos orgânicos e convencionais.
Uma equipe de cientistas convocada por The Organic Center (TOC)
realizou um exame semelhante, mas mais rigoroso, da mesma
literatura. A equipe do TOC analisou pesquisas publicadas
que tratavam exclusivamente de alimentos oriundos de
plantas. Os resultados diferem significativamente do exame
mais restrito da FSA e estão relatados no estudo
"New Evidence Confirms the
Nutritional Superiority of Plant-Based Organic Foods."
(Novas Evidências Confirmam a Superioridade Nutricional de
Alimentos Orgânicos Oriundos de Plantas).
As conclusões do TOC são semelhantes no caso de alguns
nutrientes analisados pela equipe da FSA, mas diferem
significativamente em duas classes essenciais de nutrientes,
de grande importância na promoção da saúde humana –
polifenóis totais e conteúdo total de antioxidantes. A
equipe da FSA não incluiu a capacidade total de
antioxidantes entre os nutrientes estudados, e não encontrou
nenhuma diferença no conteúdo fenólico em 80 comparações
realizadas em 13 estudos.
Ao contrário do estudo londrino, o exame do Organic Center
se concentrou em diferenças nutricionais entre "pares
combinados" de culturas desenvolvidas em fazendas próximas,
no mesmo tipo de solo, com os mesmos sistemas de irrigação e
períodos de colheita, e cultivados a partir da mesma
variedade de planta. Também fez uma triagem rigorosa dos
estudos em relação à qualidade dos métodos analíticos usados
na medição de níveis de nutrientes, e excluiu de maiores
considerações um percentual muito maior da literatura
publicada do que aquele desconsiderado pela equipe da FSA.
Enquanto a equipe da FSA encontrou 80 comparações de
compostos fenólicos, a equipe do TOC se concentrou na
medição mais precisa de ácidos fenólicos totais, ou
polifenóis totais, e encontrou apenas 25 "pares combinados"
que eram válidos cientificamente. Ao colocar juntos, em sua
análise estatística, os resultados de vários ácidos
fenólicos específicos, a equipe da FSA provavelmente se
afastou da precisão estatística.
Ao invés disto, a equipe do TOC se focou em estudos que
informavam valores para ácidos fenólicos totais, e também
aplicou critérios de seleção mais rigorosos a fim de excluir
estudos de qualidade inferior.
A equipe do TOC descobriu –
-
Vinte e cinco pares combinados de culturas orgânicas e
convencionais para os quais foram relatados dados de
ácidos fenólicos totais. Os níveis eram mais altos nas
culturas orgânicas em 18 destes 25 casos; as culturas
convencionais eram mais altas em 6. Em cinco dos pares
combinados, os níveis de acido fenólico eram 20% mais
altos, ou mais, nas culturas orgânicas. Em média, nos 25
pares combinados, os fenólicos totais estavam 10% mais
altos nas amostras orgânicas, em comparação com as
culturas convencionais.
-
Em sete dentre oito pares combinados onde havia dados
de capacidade total de antioxidantes, os níveis eram
mais altos na cultura orgânica. De 15 pares combinados
para análise do antioxidante chave quercetina, 13
mostraram valores mais altos nos alimentos orgânicos. No
caso do kaempferol, outro antioxidante importante, as
amostras orgânicas eram mais altas em seis casos, ao
passo que cinco eram mais altas nas culturas
convencionais.
No estudo do TOC, havia um número bastante grande de pares
combinados para comparação dos níveis de 11 nutrientes,
inclusive cinco dos nutrientes no exame da FSA. Para os
cinco nutrientes abordados em cada exame, a equipe do TOC
estava, de modo geral, de acordo com as conclusões da FSA em
relação a dois (nitrogênio e fósforo).
A equipe londrina não avaliou diferenças em antioxidantes
chave individuais, nem na atividade antioxidante total –
nutrientes importantes que foram medidos em vários estudos
mais recentes.
Considerando todos os pares combinados válidos e os 11
nutrientes incluídos no estudo do TOC, os níveis de
nutrientes nos alimentos orgânicos ficaram 25% mais altos,
em média, do que nos alimentos convencionais. Dado que
algumas das diferenças mais significativas que favorecem os
alimentos orgânicos se referiam a nutrientes antioxidantes
chave dos quais a maior parte dos americanos não ingerem o
suficiente na maioria dos dias, a equipe concluiu que o
consumo de frutas e vegetais orgânicos, em particular,
oferecia benefícios significativos à saúde, aproximadamente
o equivalente a uma porção adicional de uma fruta ou legume
de conteúdo moderado de nutrientes num dia de consumo médio.
Porque os Resultados Diferentes?
Um exame da metodologia e do projeto do estudo da equipe
londrina indica claramente porque os estudos da FSA e do
Organic Center chegaram a algumas conclusões diferentes.
Inclusão de Estudos Mais Antigos
O exame realizado pela FSA incluiu estudos que cobriam um
período de mais de 50 anos: de janeiro de 1958 até fevereiro
de 2008. A equipe do TOC incluiu estudos publicados desde
1980. A maior parte dos estudos publicados antes de 1980
foram julgados falhos para efeitos de comparação do conteúdo
de nutrientes das culturas convencionais e orgânicas atuais.
A maioria dos estudos mais antigos usavam variedades de
plantas que não são mais usadas, e não mediram, ou não
relataram, fenólicos totais ou capacidade de antioxidantes
(já que estes nutrientes estavam apenas sendo descobertos).
Os estudos mais antigos usavam métodos analíticos que hoje
são considerados inferiores, em comparação com os métodos
modernos.
Além disso, desde os anos cinqüenta, os profissionais que
lidam com melhoramento e cultivo de plantas têm aumentado
constantemente o rendimento das culturas alimentares,
levando, em alguns casos, à diluição de nutrientes. Em 2004,
um de nós (Donald R. Davis) relatou evidências de uma queda
geral em alguns níveis de nutrientes em 43 culturas de
horta, entre os anos de 1950 e 1999 (Davis et al., "Changes
in USDA Food Composition Data for 43 Garden Crops, 1950 to
1999” (Mudanças nos Dados de Composição Alimentar do USDA em
43 Culturas de Horta, de 1950 e 1999) - Journal of the
American College of Nutrition, Vol. 23(6): 669-682; clique
em
summary of the Davis paper
para ver um resumo desta matéria).
Da mesma forma, um relatório do Organic Center elaborado por
Brian Halweil descreve detalhadamente as evidências ligando
rendimentos mais altos à queda de nutrientes
("Still
No Free Lunch: Nutrient levels in the U.S. food supply
eroded by pursuit of high yields.")
(Nada
é de Graça: Níveis de nutrientes na oferta de alimentos nos
EUA são corroídos pela busca por altos rendimentos.)
Assim, os resultados do estudo da FSA provavelmente ficaram
confusos devido à decisão da equipe de incluir dados de mais
de três décadas atrás.
Novos Estudos Indicam Maior Densidade Nutricional em
Alimentos Orgânicos
Desde fevereiro de 2008, a data limite do estudo londrino,
uns 15 novos estudos foram publicados, a maioria dos quais
usa projetos e métodos analíticos de melhor qualidade com
base na crítica de estudos mais antigos. O Organic Center
está atualizando sua análise anterior com estes estudos
adicionais. Estes novos estudos geralmente reforçam as
conclusões apresentadas no relatório do TOC de março de
2008, especialmente nos casos do nitrogênio (mais alto nas
culturas convencionais, o que é uma desvantagem), e de
Vitamina C, fenólicos totais e capacidade total de
antioxidantes, que estão normalmente em maior quantidade nos
alimentos cultivados organicamente.
O estudo do Organic Center conclui que o conteúdo de
proteína e de beta-caroteno, um precursor da Vitamina A, são
normalmente mais altos em alimentos cultivados de forma
convencional, porém, já que os dois estão presentes em
níveis altos ou excessivos nas dietas da maioria dos
americanos, a possível vantagem nutricional oferecida por
estas diferenças não é nem de longe tão importante quanto os
níveis mais altos de fenólicos e antioxidantes nos alimentos
orgânicos.
Exclusão de Estudos que Analisam Resultados de Fazendas
"Integradas"
A equipe da FSA excluiu estudos que comparavam alimentos
orgânicos aos sistemas de produção "integrados" e
biodinâmicos, declarando que os sistemas "integrados" não
são convencionais. A maioria dos produtores americanos
convencionais de frutas e legumes estão usando agora níveis
avançados de Manejo Integrado de Pragas. Portanto, os
sistemas "integrados" constituem hoje uma descrição mais
precisa da agricultura "convencional" nos EUA do que uma
definição fundamentada em monocultura, pulverização agendada
de pesticidas, e aplicação em excesso de fertilizantes
químicos. A equipe londrina não relatou no artigo publicado
quais os estudos "integrados" que foram desconsiderados, mas
suspeitamos que alguns estudos americanos importantes possam
ter sido eliminados.
Estudo do TOC Aplicou Crivos Muito Mais Rigorosos
para Validade Científica
As duas equipes concordam que muitos estudos publicados têm
falhas metodológicas, e desta forma, não deveriam ser
incluídos em estudos comparativos. Mas as equipes da FSA e
do TOC usaram regras muito diferentes na triagem de estudos
pela qualidade cientifica e na seleção de pares combinados
para análise.
A equipe da FSA cita cinco critérios: definição do sistema
orgânico; especificação da variedade da planta (isto é,
genética da cultura); declaração dos nutrientes analisados;
descrição do método laboratorial empregado; e uma declaração
dos métodos estatísticos usados na avaliação das diferenças.
A equipe londrina declara que exigia simplesmente alguma
discussão destas questões em artigos publicados, mas não
traçou nem aplicou qualquer parâmetro de qualidade no
julgamento da validade cientifica.
A equipe do Organic Center se concentrou nos mesmos fatores
(mais vários outros) e usou critérios declarados e objetivos
para avaliar tais fatores. A equipe do TOC examinou o poder
estatístico e a confiabilidade dos métodos analíticos, um
processo que eliminou dezenas de resultados. Finalmente, a
equipe do TOC insistiu em obter uma combinação próxima de
solos, genética de plantas (variedade), métodos e períodos
de colheita, e sistemas de irrigação, todos sendo fatores
que podem criar um viés nos resultados de um estudo
comparativo.
Inclusão de Estudos de Cestas de Mercado
A equipe da FSA incluiu alguns estudos de cesta de mercado,
para os quais não há como saber as circunstâncias
específicas dos locais das fazendas, a genética das plantas,
o tipo de solo, ou método e período de colheita. No estudo
do Organic Center, os resultados de cestas de mercado foram
julgados como "inválidos" com base em vários critérios de
triagem do controle de qualidade.
Este exame também está disponível na forma do documento em
pdf abaixo:
Review of FSA Sponsored Study on
Nutrient Content
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